na rua
O frio já doía nas mãos quando viraram a esquina. O candeeiro iluminava de amarelo as pedras da calçada branca que iam pisando. Os saltos dela continuavam a marcar o compasso, mas o coração dele teimava em não acompanhar o ritmo. Ela enfiou as mãos até aos limite mais profundo dos bolsos do sobretudo, esticando os ombros para se manter direita. No entanto, o frio fê-la voltar a encolher as costas como se fosse um gato com vontade de se enroscar. Não diziam nada, andavam simplesmente, como o planeado. O frio era a presença mais marcante, de tal modo que parecia ser uma daquelas noites que ao serem recordadas começariam sempre o seu relato com “Estava um frio…”.
