terça-feira, 18 de julho de 2006

Thom York - Skip Divided



I'm in a skip divided, malfunction
I flap around and dive bomb
Frantically around your lie
(?)
I've got your voice repeating endlessly
Could you guide me in
Could you smother me

I'd swoop around your head
But I never hit
I'm blinded by your daylight
Electric veins passed through me
I thought there was this big connection
I only got my name and I got this situation

I just need a number and location
But the appropriate papers, permissions
??
But then head into your french windows
I thought there was this big connection
They only got my name
They only got my situation

I just need my number and location
The wall keeps telling me
Hey Hey, Hey Hey
Hey Hey, The devil may
Hey Hey, Hey Hey, Hey Hey

You are a fool, you are a fool
For sticking round, for sticking 'round

Yeah, you are a fool, you are a fool
For sticking round, for sticking round
??

When you walk in a room everything disappears
When you walk in a room it's a terrible mess
When you walk in a room I start to melt
When you walk in a room I follow you 'round
Like a dog I'm a dog, I'm a dog, I'm a dog, I'm a lapdog
I'm your lapdog, yeah

I just got my number and location
I just need my number and location

Apontamento

A minha alma partiu-se como um vaso vazio.
Caiu pela escada excessivamente abaixo.
Caiu das mãos da criada descuidada.
Caiu, fez-se em mais pedaços do que havia loiça no vaso.
Asneira? Impossível? Sei lá!
Tenho mais sensações do que tinha quando me sentia eu.
Sou um espalhamento de cacos sobre um capacho por sacudir.
Fiz barulho na queda como um vaso que se partia.
Os deuses que há debruçam-se do parapeito da escada.
E fitam os cacos que a criada deles fez de mim.
Não se zanguem com ela.
São tolerantes com ela.
O que era eu um vaso vazio?
Olham os cacos absurdamente conscientes,
Mas conscientes de si mesmos, não conscientes deles.
Olham e sorriem.
Sorriem tolerantes à criada involuntária.
Alastra a grande escadaria atapetada de estrelas.
Um caco brilha, virado do exterior lustroso, entre os astros.
A minha obra? A minha alma principal? A minha vida?
Um caco.
E os deuses olham-o especialmente, pois não sabem por que ficou ali.

Álvaro de Campos

Adeus

Às vezes tu dizias: os teus olhos são peixes verdes!
E eu acreditava.
Acreditava,
porque ao teu lado
todas as coisas eram possíveis.

Mas isso era no tempo dos segredos.
Era no tempo em que o teu corpo era um aquário.
Era no tempo em que os meus olhos
eram os tais peixes verdes.
Hoje são apenas os meus olhos.
É pouco, mas é verdade:
uns olhos como todos os outros.

Já gastámos as palavras.
Quando agora digo: meu amor...,
já não se passa absolutamente nada.
E no entanto, antes das palavras gastas,
tenho a certeza
de que todas as coisas estremeciam
só de murmurar o teu nome
no silêncio do meu coração.

Não temos já nada para dar.
Dentro de ti
não há nada que me peça água.
O passado é inútil como um trapo.
E já te disse: as palavras estão gastas.

Adeus



Eugénio de Andrade

sábado, 8 de julho de 2006

Vertigem

Um ponto de viragem. Aquele em que sentimos o nosso corpo pender para o infinito. Olhamos de frente a viagem, aceite à custa da impossibilidade de escolher as vistas em redor.

Olho para mim através do espelho. Prescruto as minhas próprias vontades. Resolvo as questões sem resposta.

E nada.