domingo, 19 de setembro de 2004

no café 2 (cont.)

E foi então que a portada pintada de verde se abriu. Ele não reparou imediatamente, mas todos os que ali estavam sentados atenuaram a barulheira insuportável que faziam. Foi afinal este intrigante murmurar que acabou por despertar a sua atenção. Levantou pesadamente o olhar da página albergue das palavras cruzadas e olhou em frente. No enquadramento ideal do seu ângulo de visão ela entrava a direito. As cadeiras outrora cerradas encostadas umas às outras num desalinho, afastavam-se agora apenas pelo aproximar do ruído dos seus sapatos nas tábuas de madeira do chão. Era o som oco dos seus passos que ele seguia, mais que o vulto na sua direcção.


the vain green behind our pale grey

quarta-feira, 1 de setembro de 2004


in museo thyssen bornemisza, madrid.

no café

sentado no canto da sala, tentava lembrar-se de uma qualquer melodia para entreter o cansaço da espera. (o nervoso miudinho entranhava-se sempre na ponta dos dentes) e enquanto mordia o lábio percorria com os olhos os metros quadrados da sua solidão. a melodia não chegava, mas ia acompanhando o ritmo descompassado do coração com a ponta do sapato contra a perna da mesa. o copo meio vazio em cima das folhas do jornal aberto lembrava-lhe que já ali estava há meia hora.