ontem
às palavras partidas retiro ossos e entranhas. disseco os sentidos e os mil significados de ontem. desdobro encontros em suspiros. desisto insistir por morrer mais um pouco a cada muito que desperdiço. nem sei se guardam pedaços de mim, fonemas entoados em melodias agrafadas à memória. a cada passo por cada estrada gasta de passageiros errantes de partidas sem nunca ter destino onde me encontrar. calo para ouvir o destino, que sempre se engasga menos que os argumentos deslavados da razão. o suposto soa a falso, um buraco fundo coberto até ao cimo de nadas, na promessa de chegar segura a não sei onde. nesta justaposição de palavras, pleonasmos constantes de sentimentos usados e em segunda mão, desfalcados de essência. e ainda a crença de que as palavras movem lágrimas e verter-se num dia bom.
Não esquecer de: Destruir.
1 Comments:
a minha caneta é um caterpillar.
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