Apetecia-me
Apetecia-me uma paixão avassaladora pela solidão.
Queria estar horas sem fim a beijar o espaço vazio que deixaste naquela cadeira.
Gostava de beber sofregamente cada momento do teu silêncio.
Ouvir o eco da ausência das tuas palavras.
O barulho surdo de uma falta de batimento compassado.
O estar só seria a minha paisagem idílica.
Cruzar-me-ia com milhares de desertos.
Tomaria chá com todos os olhares que morrem sozinhos no meu chão.
Calaria todas as melodias e ouviria apenas as pausas de cada compasso.
A ausência da tua existência em mim seria doce.
E trincaria, devoraria, cada pedaço do teu
não estar
não ser
não dar
não poder
não querer
não sentir.
não ser
não dar
não poder
não querer
não sentir.
e dormiria tranquila,
finalmente.
finalmente.
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