domingo, 15 de agosto de 2004

cadeira e parede

Houveram certos dias sem qualquer lógica para que existissem.
dias em que o raciocínio pareceu abandonar-me. e só aí me abandonaste tu.
gostava da tua determinação em seres determinado. do teu modo de olhar sempre a direito, porque não existiam para ti as hesitações. não querias sequer descobrir a beleza da interrogação, para ti a magia da vida residia apenas nos pontos finais que colocavas nos outros. o brilho do olhar que colocavas em cada som da tua harmonia construída dava-lhe a melodia com que escutava a tua voz. e os teus gritos gritavam. e os teus silêncios mudos de expressão decoravam as paredes vazias do que sentia por ti. mas para o que tu imaginarias, eu seria sempre a cadeira em que te deixas cair. umas vezes exausto, em que te abraçava. outras vezes de tédio em que me arrastavas contra a parede na tua determinação determinada em não sentir.

1 Comments:

At segunda-feira, agosto 16, 2004 2:45:00 a.m., Anonymous Anónimo said...

A Alma não será nunca maior enquanto houver a razão que o impede de crescer...

Beijo, Sardo.

 

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