terça-feira, 3 de agosto de 2004

umbra

os espelhos da tua existência parecem agora reflectir algo que nunca tinha reconhecido em ti. procuro fundo nos contornos da moldura aquilo com te desenharia a sombra, mas não te encontro. por vezes sentava-me, recostada no teu abraço de conforto, e mergulhava bem fundo no teu sorriso. outras, olhava-te simplesmente enquanto era eu que sorria. agora nem olho nem sorrio nem encontro o teu sorriso, encostado lá longe na prateleira imersa em pó.
os livros que lias continuam em pedaços espalhados pelas minhas estradas, cruzando-se comigo e com outros estranhos que vão passando.
os sons que erram pelo corredor, vêm ter a direito sobre esta cadeira que te estendo, mas não se sentam.
E assim ficamos os dois. não sentados nestas cadeiras, não lendo palavras nossas, não sentindo a música que agora nos polui os ouvidos, e não procurando encontrar sorrisos.