Fim... de tarde
Sento-me numa esplanada à beira-mar enquanto lês qualquer coisa da qual não percebo nada. Estamos sentados. A calma constante de quem bebe um copo com gelo e não diz nada. Também não há nada para dizer. Leio um livro qualquer que agarrei da estante, daqueles em que já peguei uma dezena de vezes para o voltar a colocar, lido até um pouco mais do que a página do marcador da vez anterior. O livro interessa-me, mas de repente começo a dar mais atenção às gotas de água em volta do copo de gelo derretido que me caem no colo enquanto bebo. Por fim, a atenção já não é nenhuma. Já não leio. Olho em frente para o sol que neste momento já desceu abaixo da sombra que o chapéu fazia. Volto a olhar para as páginas que anteriormente estavam cheias de palavras, mas que agora apenas reflectem o sol, tantas vezes quantas abro e fecho os olhos. Distraio-me novamente com o som da televisão, incomodamente alto. Desisto de ler, desisto de olhar o sol que neste momento já ficou totalmente coberto por nuvens espessamente cinzentas. Pego no caderno, peço-te um lápis e escrevo.
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